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Rodoviária de Salvador encerra atividades após mais de 50 anos de funcionamento

Imagem do Terminal Rodoviário de Salvador- Foto: Ulgo Oliveira / Seinfra

Por Eliezer de Santana

Com a inauguração do novo terminal em Águas Claras, todas as linhas intermunicipais e interestaduais serão transferidas a partir do dia 20 de janeiro

Após mais de meio século em operação, o Terminal Rodoviário de Salvador Armando Viana de Castro terá suas atividades encerradas de forma definitiva no próximo dia 20 de janeiro. A medida ocorre com a proximidade da inauguração do novo terminal rodoviário, localizado no bairro de Águas Claras, marcada para o dia 19 de janeiro, que passará a concentrar toda a operação do transporte rodoviário intermunicipal e interestadual da capital baiana.

Inaugurada em 4 de setembro de 1974, a atual rodoviária deixa de funcionar após 50 anos de história, marcados por milhões de embarques e desembarques e pela consolidação do equipamento como um dos principais polos de mobilidade do Nordeste.

O Governo do Estado da Bahia, responsável pela construção do novo terminal, orienta os usuários a não se dirigirem mais à Rodoviária de Salvador a partir da próxima terça-feira (20). Segundo a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), todas as linhas que atualmente operam no terminal antigo serão transferidas integralmente para a nova estrutura.

Ao todo, 363 linhas intermunicipais, além de diversas linhas interestaduais, passarão a operar no novo terminal, conectando Salvador a dezenas de cidades da Bahia e a outros estados do país.

Importância histórica e urbana

Popularmente conhecida como Rodoviária de Salvador, a estação é oficialmente denominada Terminal Rodoviário Armando Viana de Castro. Localizada no atual centro financeiro da capital, ao lado das estações homônimas do metrô e do BRT, o terminal integra uma área estratégica da mobilidade urbana, anteriormente ocupada pela Estação de Transbordo do Iguatemi.

O equipamento é considerado um marco da arquitetura brutalista baiana, com projeto assinado pelos arquitetos Emmanuel Berbert e José Álvaro Peixoto, do escritório Berbert & Peixoto Arquitetos Associados. O terminal foi concebido pela então Organização Odebrecht (atual Novonor) e é administrado pela SINART, que também executou sua construção.

Durante décadas, a rodoviária figurou como o segundo maior terminal rodoviário do Brasil em capacidade operacional, atrás apenas do Terminal do Tietê, em São Paulo. Estima-se que o espaço tenha capacidade para atender até 12,6 milhões de usuários por ano, com uma movimentação anual de cerca de 3,5 milhões de passageiros.

Com 21,5 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de aproximadamente 150 mil metros quadrados, o complexo abriga uma ampla estrutura de serviços, incluindo supermercado, clínica médica, lojas, farmácia, praça de alimentação, casa lotérica, agência dos Correios, posto de informações turísticas e áreas verdes.

Papel no desenvolvimento da cidade

A construção da rodoviária integrou um conjunto de grandes investimentos públicos e privados que, na década de 1970, impulsionaram a formação de um novo eixo urbano em Salvador, então considerado periférico. Entre as obras estruturantes da época estão a Avenida Paralela, o Centro Administrativo da Bahia (CAB), os loteamentos do Caminho das Árvores e do Itaigara, além do Shopping Center Iguatemi.

Inserida nesse contexto, a Rodoviária Armando Viana de Castro consolidou-se como um símbolo do crescimento urbano e da modernização da capital baiana ao longo das últimas cinco décadas.

Com o encerramento das atividades, o terminal se despede como um dos equipamentos públicos mais emblemáticos da história recente de Salvador, abrindo espaço para uma nova fase da mobilidade rodoviária no estado.

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