Início Entretenimento A Beleza Negra pede passagem no carnaval com o desfile do Olodum

A Beleza Negra pede passagem no carnaval com o desfile do Olodum

Imagem do Bloco Afro Olodum no Pelourinho- Foto: Reproduçao/SECULTBA

Por Eliezer de Santana

Tambores, ancestralidade e resistência marcam a abertura dos blocos afros nas ruas de Salvador a partir desta sexta-feira

Salvador vive, a partir desta sexta-feira (13), um dos momentos mais simbólicos do seu Carnaval. No início da noite, o Olodum abre oficialmente o desfile dos blocos afros, reafirmando o protagonismo da cultura negra na maior festa popular da cidade e do país.

A tradicional saída do Pelourinho, com destino à Praça Castro Alves, transforma o Centro Histórico em um espaço de celebração da memória coletiva do povo negro. O trajeto, marcado por séculos de história, é ressignificado pelo som dos tambores, pelas coreografias e pelos cânticos que evocam ancestralidade, resistência e identidade afro-brasileira.

Neste Carnaval, o Olodum apresenta o tema “Máscaras Africanas: Magia e Beleza”, uma homenagem a símbolos milenares presentes em diversas culturas do continente africano. Utilizadas em rituais religiosos, celebrações comunitárias e manifestações artísticas, as máscaras representam espiritualidade, proteção, transformação e pertencimento. No desfile, elas ganham releitura contemporânea em fantasias, adereços e estampas que evidenciam a riqueza estética africana e reforçam o elo histórico e cultural entre África e Bahia.

A saída do Olodum também marca o início dos desfiles de outros importantes blocos e grupos culturais que, a partir de hoje, ocupam os circuitos do Carnaval fortalecendo a presença negra na festa. Entre eles estão a Banda Didá, referência na valorização do protagonismo feminino negro; o Malê de Balê, que une dança, teatro e música; o Muzenza, conhecido pela fusão entre ritmos afro e elementos da cultura pop; o Alvorada; o Ilê Aiyê, pioneiro dos blocos afros; além de coletivos como o Cortejo Afro.

Mais do que entretenimento, o Carnaval de Salvador se consolida como um território de afirmação política, cultural e identitária. Os blocos afros e de samba não apenas animam a festa, mas narram histórias, denunciam desigualdades e celebram conquistas do povo negro. Ao som dos tambores que ecoam pelas ruas, a beleza negra pede passagem — e segue firme no centro da avenida, transformando o Carnaval em um espaço de memória viva, magia e resistência.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui