PT celebra 46 anos com ato político-cultural em Salvador e presença de Lula

Foto: Joao Valadares

Lula defende ofensiva política, alianças amplas e renovação do projeto do partido diante da disputa de 2026

O Partido dos Trabalhadores celebrou seus 46 anos neste sábado (7), em Salvador, com um ato político marcado por discursos contundentes, apelos à militância e sinalizações claras sobre o cenário eleitoral que se aproxima. Realizado no Trapiche Barnabé, o evento reuniu lideranças nacionais, dirigentes partidários e representantes de legendas aliadas, encerrando-se com apresentação cultural do Cortejo Afro.

Principal voz da cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom de mobilização e advertência. Ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso histórico do PT com a democracia, a soberania nacional e a justiça social, Lula convocou a militância a se preparar para uma disputa eleitoral dura, marcada por embates nas redes sociais e pela necessidade de enfrentar a desinformação promovida pela extrema direita. Segundo ele, a vitória não virá apenas do legado social do partido, mas da capacidade de construir e sustentar uma narrativa política forte.

Lula também deixou explícita sua disposição para buscar a reeleição, afirmando viver seu melhor momento físico, mental e político. Destacou, porém, que o próximo ciclo exige mais do que a defesa de programas consagrados: é preciso apresentar um novo projeto nacional capaz de dialogar com diferentes gerações e reacender expectativas de transformação. Para o presidente, o que está em jogo vai além do resultado das urnas, trata-se da preservação da democracia frente a projetos autoritários.

O tema das alianças ocupou lugar central no discurso. Lula defendeu composições amplas nos estados como estratégia pragmática para vencer as eleições, ressaltando que acordos não significam abdicar de princípios. Agradeceu à militância de partidos do campo progressista e fez um elogio enfático ao vice-presidente Geraldo Alckmin, apontado como exemplo de convergência política em defesa do país.

Em uma fala de tom autocrítico, o presidente também advertiu o PT sobre os riscos da mercantilização da política e da perda de identidade. Criticou práticas como o Orçamento Secreto, cobrou postura ética dos parlamentares e alertou que o partido não pode se confundir com a lógica da “política podre”. Relembrou ainda a perda de espaço eleitoral em regiões historicamente governadas pela sigla e atribuiu o recuo a erros internos e disputas fratricidas, defendendo avaliações sinceras e correções de rumo.

Lula enfatizou a necessidade de reconectar o PT às bases sociais, especialmente às periferias, e de ampliar o diálogo direto com segmentos como o eleitorado evangélico, sem intermediários. Para ele, a campanha que se desenha exige presença territorial, escuta ativa e retomada do contato cotidiano com a população.

Além de Lula, participaram do evento o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; o vice-presidente Geraldo Alckmin; os ministros Rui Costa, Margareth Menezes e Sidônio Palmeira; o senador Jaques Wagner; e dirigentes do partido. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou a capacidade de diálogo da legenda e elogiou a continuidade de políticas públicas na Bahia, enquanto o dirigente estadual Tássio Brito ressaltou o caráter coletivo da trajetória petista e o papel de Lula como liderança oriunda da classe trabalhadora.

A celebração encerrou uma série de encontros internos do partido voltados à análise de conjuntura e aos desafios futuros, combinando clima festivo com um chamado explícito à reorganização política e estratégica do PT para os próximos anos.

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